08 set 2026

Monitoramento contínuo de redes PROFINET: da falha intermitente à manutenção baseada em condição

TOLEDO E SOUZA

Como o histórico de eventos e a análise do tráfego ajudam a aumentar a confiabilidade das redes industriais

Em uma rede PROFINET, nem toda anomalia provoca uma parada imediata.

Antes de uma falha definitiva, podem surgir alterações no comportamento temporal da comunicação, descartes de pacotes, mudanças de topologia, eventos em dispositivos ou interrupções de curta duração.

O problema é que muitas dessas ocorrências desaparecem antes que a equipe de manutenção consiga analisá-las.

Imagine um IO Device que perde comunicação por alguns segundos e retorna automaticamente à operação. Quando a equipe chega ao local, todos os dispositivos estão novamente acessíveis.

Uma análise pontual mostrará a condição atual da rede, mas pode não revelar o que aconteceu no momento da ocorrência.

A pergunta, então, deixa de ser apenas “a rede está funcionando?” e passa a ser: Como a rede estava se comportando quando o problema ocorreu?

É justamente nessa diferença que o monitoramento contínuo ganha relevância.

Monitorar PROFINET vai além de saber se o dispositivo está online
A disponibilidade instantânea de um dispositivo é importante, mas representa apenas uma parte da condição da rede. Parâmetros relacionados ao comportamento temporal da comunicação também fornecem evidências relevantes.

Um deles é o Jitter, que representa a variação do intervalo de tempo observado entre telegramas em relação ao comportamento programado na CPU.

Alterações nesse parâmetro podem indicar condições que merecem investigação.

No TS Monitor PROFINET PRO SN, a análise passiva realizada pelo TAP integrado acrescenta, além do Jitter, outros indicadores:

IO Cycle: intervalo de atualização da comunicação cíclica entre IO Controller e IO Device.

Dropped: identifica situações em que um telegrama esperado não é observado chegando ao IO Controller no fluxo analisado, com base no contador de ciclo da comunicação PROFINET.

Overtake: indica a chegada de um telegrama mais recente ao IO Controller antes de outro telegrama anterior esperado.

Cycle fault: identifica situações em que o Jitter excede 100% do tempo de ciclo configurado.

Há uma diferença importante aqui: Jitter é um parâmetro utilizado na avaliação de redes PROFINET. Dropped, Overtake e Cycle fault, na forma apresentada acima, são indicadores calculados pela solução TS para ampliar a interpretação temporal do tráfego.

Essa separação entre parâmetros da tecnologia e métricas da ferramenta é essencial para uma análise tecnicamente consistente.

Dropped e Discarded Packets não significam a mesma coisa
Outro cuidado importante é não interpretar todos os indicadores relacionados a perdas e descartes como se representassem o mesmo fenômeno.

  • O Dropped está relacionado ao tráfego observado pelo TAP. Um telegrama esperado dentro de determinada sequência não foi identificado chegando ao IO Controller no ponto de captura.
  • Os Discarded Packets, por outro lado, são contadores disponibilizados pelas interfaces dos próprios equipamentos e indicam quadros descartados nessas interfaces.

As duas informações são complementares. Um evento de Dropped indica uma ausência no fluxo observado, mas, isoladamente, não determina onde ocorreu a perda. Já os contadores de Discarded Packets podem ajudar a identificar interfaces nas quais ocorreram incrementos de descarte.

Quando essas evidências são correlacionadas com horário, eventos, topologia, estados dos dispositivos e comportamento do tráfego, a equipe ganha elementos mais objetivos para direcionar a investigação.

Esse é um dos principais ganhos do monitoramento contínuo: substituir parte do troubleshooting baseado em hipóteses por uma análise baseada no histórico real da rede.

Como funciona o monitoramento contínuo de uma rede PROFINET
O TS Monitor PROFINET PRO SN foi desenvolvido pela TS para acompanhar permanentemente a rede e seus ativos, combinando duas formas de medição:

  • A primeira é o monitoramento ativo, utilizado para levantar informações sobre dispositivos, interfaces, topologia, eventos e estado geral de saúde da rede.
  • A segunda é a captura passiva do tráfego por meio de um Ethernet TAP integrado, permitindo observar a comunicação PROFINET que atravessa o link monitorado, inclusive para redes com redundância S2.

A partir dessas informações, a ferramenta disponibiliza recursos como:

  • inventário automático dos ativos;
  • Live List dos dispositivos;
  • topologia dinâmica;
  • histórico de eventos;
  • informações de interfaces e contadores;
  • análise de tráfego;
  • indicadores de Jitter, IO Cycle, Dropped, Overtake e Cycle fault;
  • informações relacionadas ao MRP;
  • integração com arquivos GSDML;
  • TS Expert para organização das ocorrências e apresentação de possíveis causas e ações.

A integração com o GSDML também ajuda a contextualizar informações dos dispositivos, incluindo estrutura, módulos, parâmetros e diagnósticos previstos pelo fabricante.

O objetivo não é substituir o profissional responsável pela rede. É fornecer mais evidências para que a investigação comece com informação técnica disponível.

MRP e S2: redundâncias diferentes
Em arquiteturas PROFINET de maior disponibilidade, também é importante distinguir redundância de mídia e redundância de sistema.

O MRP, Media Redundancy Protocol, é utilizado para redundância de mídia em topologias em anel. Seu objetivo é manter a comunicação por um caminho alternativo quando ocorre uma interrupção compatível com a arquitetura do anel.

A redundância de sistema S2 possui outra finalidade. Nessa arquitetura, um IO Device pode estabelecer relações de comunicação com dois controladores de um sistema redundante.

Dependendo dos requisitos de disponibilidade, MRP e S2 podem (e costumam) operar em conjuntos em linhas críticas que requerem altíssima disponibilidade.

Para o monitoramento, essa diferença também importa. Em redes redundantes, o posicionamento dos pontos de captura deve fazer parte do projeto para que a cobertura seja compatível com a arquitetura da planta.

Da rede de comunicação ao ativo de confiabilidade
Indústria 4.0, IIoT, analytics e integração IT/OT aumentam a dependência da indústria em relação à conectividade.

Quanto mais decisões utilizam dados provenientes da planta, mais importante se torna conhecer também a condição da infraestrutura responsável por transportar esses dados.

O TS Monitor disponibiliza informações para integração externa em formato JSON, permitindo que dados relacionados à rede sejam incorporados a sistemas SCADA, de supervisão, dashboards e outras plataformas utilizadas pela planta.

Em instalações com diversos monitores, o TS Supervisor permite centralizar as informações das redes acompanhadas e servir dados a plataforma já utilizada pelo cliente, sem necessidade de adicionar mais um sistema a ser acompanhado.

A rede deixa, assim, de ser observada apenas quando ocorre uma falha e passa a ser acompanhada como parte da estratégia de confiabilidade da operação. 

Conclusão
Ferramentas portáteis continuam essenciais para investigações específicas em redes PROFINET. Mas falhas intermitentes e degradações que evoluem ao longo do tempo criam uma limitação natural para qualquer análise realizada somente depois da ocorrência.

O monitoramento contínuo acrescenta o elemento que normalmente falta nesses casos: histórico.

Ao correlacionar tráfego, Jitter, Dropped, Discarded Packets, eventos, topologia e condição dos dispositivos dentro de um mesmo contexto temporal, a equipe de manutenção ganha melhores evidências para direcionar sua investigação.

O TS Monitor PROFINET PRO SN foi desenvolvido para criar essa camada permanente de visibilidade, combinando monitoramento ativo, captura passiva do tráfego e histórico da rede. Como resultado, as equipes de manutenção tem capacidade de planejar manutenção no amplo sentido, com contratações assertivas das equipas, compra de material em melhores condições e com tempo para planejamento adequado.

Para conhecer a solução aplicada a uma arquitetura PROFINET real, fale com o time da TS e solicite uma demonstração.

Sobre a TS
A TS desenvolve tecnologias para análise e monitoramento de redes industriais, com soluções para equipes de automação, manutenção, engenharia e confiabilidade.

Seu portfólio inclui ferramentas para PROFIBUS, PROFINET, EtherNet/IP, ASi e DeviceNet, desenvolvidas para ampliar a visibilidade sobre as redes industriais e fornecer evidências técnicas para apoiar a tomada de decisão.

Conheça mais do portfólio em:
https://toledoesouza.com/wp-content/uploads/2026/08/Apresentacao-TS-e-Portfolio-TS.pdf

Referências técnicas
[1] PROFIBUS Nutzerorganisation e.V. (PNO). PROFINET Commissioning Guideline. Version 1.53, Order No. 8.082, setembro de 2022.
[2] PROFIBUS Nutzerorganisation e.V. (PNO). PROFINET Planning Redundancy. Version 1.00, Order No. 8.132, maio de 2023.
[3] PROFIBUS Nutzerorganisation e.V. (PNO). PROFINET Design Guideline. Version 1.59, Order No. 8.062, janeiro de 2025.
[4] PROFIBUS & PROFINET International (PI). PROFINET Media Redundancy Guideline. Version 1.03, Order No. 7.212.
[5] PROFIBUS & PROFINET International (PI). GSDML Specification for PROFINET. Version 2.50, Order No. 2.352, 2026.
[6] TS. Guia do usuário TS Monitor PROFINET PRO SN. Versão 1.0.1, dezembro de 2025.

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